Stress e Burnout

Simone Yazbek

 

Stress e Burnout

 

Atualmente, o grande desafio do homem moderno é obter o maior rendimento possível sem prejuízos para a saúde. Vivemos em uma época em que a competitividade e a busca por atingir metas - às vezes irreais - alavancam as engrenagens no âmbito corporativo, e é cada vez mais difícil encontrar equilíbrio entre trabalho e vida pessoal, produtividade e saúde. E, quando um desses elementos não está em harmonia, a qualidade de vida fica prejudicada. Sofre a pessoa. Perde a empresa. Desgasta a família

As constantes mudanças nas organizações, os enxugamentos, as fusões, os avanços tecnológicos, a sobrecarga de trabalho colocam os profissionais freqüentemente na corda bamba, frente a uma situação de stress.

O conceito de stress não é novo, mas foi apenas no início do século XX que estudiosos das ciências biológicas e sociais iniciaram a investigação de seus efeitos na saúde física e mental das pessoas. Hans Selye conceituou o stress como qualquer adaptação requerida à pessoa. Esta definição apresenta o stress como um agente neutro, capaz de se tornar positivo ou negativo de acordo com a percepção e a interpretação de cada pessoa.

Todos os estudos na área apontam que o stress é um desequilíbrio físico e mental. Se o desequilíbrio for restabelecido em curto prazo, não há dano para o organismo. Mas se isto não ocorrer, surgem doenças e conseqüências piores para o homem. As causas deste desequilíbrio são internas e externas, sendo o perfeccionismo, a tecnologia, mudança de hábitos e a violência alguns deles. Segundo Lipp, 2003, no Brasil os estudos apontam que 32% da população sofre com os sintomas deste mal.

A definição geralmente mais aceita do stress, atribuída principalmente à Lazarus, (1993), é que a de que o stress é uma circunstância ou um sentimento experimentado quando a pessoa percebe que as demandas excedem os recursos pessoais e sociais que o indivíduo está habilitado a mobilizar. Lipp, (1996, p. 20), amplia o conceito: Stress é definido como uma reação do organismo, com componentes físicos e/ou psicológicos, causada pelas alterações psicofisiológicas que ocorrem quando a pessoa se confronta com uma situação que, de um modo ou de outro, a irrite, amedronte, excite ou confunda, ou mesmo que a faça imensamente feliz. É importante conceitualizar o stress como sendo um processo e não uma reação única, ...

Na psiquiatria, o stress é entendido como um estado de tensão emocional que produz um estado psicológico desagradável caracterizado por irritabilidade, distúrbio de sono e do apetite, dificuldade na concentração e preocupação exagerada com relação a situações triviais. Em geral, há queda no rendimento com diminuição da memória e impotência. Pode ser desencadeado por uma situação súbita ou por situações conflitantes contínuas e seguidas

O stress positivo, chamado de eustresse, assim como o negativo, chamado de distresse, causam reações fisiológicas similares: as extremidades (mãos e pés) tendem a ficar suados e frios, a aceleração cardíaca e pressão arterial tendem a subir, o nível de tensão muscular tende a aumentar, etc.

Os aspectos positivos do stress, o eustresse, motivam e estimulam a pessoa a lidar com determinada situação, mantendo a percepção mais aguçada, concentração focal e envolvimento maior no objetivo proposto em busca da superação de si próprio; o stress pode auxiliar o homem, que é um ser de natureza fluída, com tendência a crescer em um movimento de sair de si, projetar-se em um constante devir, a alcançar seus objetivos.

No entanto, é alto o preço pago por isto. Nem sempre os profissionais conseguem distinguir o stress positivo, o eustresse, do negativo, o distresse, que acovarda o indivíduo, o intimida, faz com que ele fuja das situações, e o stress que anteriormente era uma válvula propulsora, passa a atuar como uma chama que queima o pavio de forma descontrolada.

 

O Burnout, consumir-se em chamas, é um tipo especial de stress ocupacional que se caracteriza por profundo sentimento de frustração e exaustão em relação ao trabalho desempenhado, sentimento que aos poucos pode se estender a todas as áreas da vida de uma pessoa.

Diferentes terminologias são utilizadas ao redor do mundo para o burnout, tais como staff burnout. “Estresse Laboral”, “Estresse Laboral Assistencial”, “Estresse Ocupacional”, “Síndrome de queimar-se pelo trabalho” entre outras.

Harrison (1999) considera a Síndrome de Burnout, como um tipo de estresse de caráter persistente vinculado a situações de trabalho, resultante da constante e repetitiva pressão emocional associada e intenso envolvimento com pessoas por longos períodos de tempo.

Com toda a diversidade de conceituações atribuídas ao Burnout, existe unanimidade entre os pesquisadores. Todos assinalam a influência direta do mundo do trabalho como condição determinante desta síndrome. Maslach, Schaufeli & Leiter, (2001), afirmam que o Burnout é uma experiência individual específica do contexto do trabalho.

Pesquisas realizadas por autores como Maslach e Leiter, e Peter Frost, faz com que acreditemos que o problema está no ambiente social em que as pessoas trabalham e não nas pessoas em si.

É importante destacar que inicialmente o problema do burnout foi observado em ocupações relacionadas a cuidados pessoais e serviços assistenciais, profissões que têm em comum um foco no fornecimento de auxílio e prestação de serviços a pessoas necessitadas. Atualmente, à medida que outras ocupações se tornaram mais orientadas para um atendimento ao cliente “personalizado”, o fenômeno do burnout tornou-se relevante também em outras áreas ocupacionais.

A preocupação sobre o fenômeno do burnout deveria ser maior, pois os custos envolvidos tanto para a organização quanto para o funcionário são muito grandes. O desempenho no trabalho, com qualidade mínima de produção, o aumento de erros, minimização de desempenho, problemas de relacionamentos tanto com a equipe quanto com os familiares e conseqüentemente os problemas de saúde do trabalhador estão se agravando.

 

”O ser humano é capaz de adaptar-se ao meio ambiente desfavorável,

mas esta adaptação não acontece impunemente."

Lennart Levy

 
 
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